Muitos pais ficam literalmente INCRÉDULOS ao serem informados pelo médico ultrassonografista que o filho(a) está com cálculo urinário. Será possível? 

SIM! Diversos trabalhos em diferentes países apontam para uma quantidade progressivamente maior de crianças com cálculos urinários. Existem várias causas para isso: 

- uma dieta inadequada, principalmente rica em sódio e com pouca ingestão de água ao longo do dia, levam à alterações bioquímicas da urina, notadamente uma maior concentração (a urina fica proporcionalmente com "menos água" por cada litro produzido, favorecendo a aproximação de cristais e consequente aglutinação) e uma maior excreção de cálcio na urina. Este conjunto favorece muito a formação de cálculos urinários; 

- diferentes mutações genéticas fazem com que haja um transporte inadequado de algumas moléculas pelos túbulos renais, seja dificultando sua reabsorção ou promovendo sua maior excreção. Diferentes substâncias em excesso na urina podem se agregar e facilitar a formação de cálculos, como cálcio, ácido úrico, oxalato, cistina, dentre outras. Ainda assim, mesmo doenças ligadas à maior excreção de oxalato, por exemplo, podem estar associadas a distintas mutações (no caso da hiperoxalúria, por exemplo, existem 3 subtipos);

- o maior uso de drogas que potencialmente podem induzir à hipercalciúria, como o topiramato, tornam necessário o monitoramento adequado, permitindo muitas vezes identificar a maior excreção de cálcio urinário e até mesmo a presença de pequenos cálculos renais antes mesmo de sua manifestação clínica!

- algumas forma de distúrbios metabólicos urinários são genéticos e podem ser herdados de uma geração a outra. Na prática, filhos(as) de pais sabidamente com litíase urinária possuem uma maior chance de virem a ter cálculos urinários. 

O profissional mais preparado para investigar cálculos urinários na infância e adolescência é o NEFROPEDIATRA. A pronta IDENTIFICAÇÃO DO MOTIVO ATRAVÉS DO QUAL o cálculo se formou é fundamental para a PREVENÇÃO DA FORMAÇÃO DE CÁLCULOS FUTUROS.